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Estresses Abióticos! Como Conviver com Eles?

Juscelio Ramos de Souza e Bruno Neves Ribeiro
Pesquisa & Desenvolvimento
Kimberlit Agrociências

 

Os estresses ambientais tem se figurado como um dos fatores responsáveis pela atual distribuição das culturas nas diversas regiões agrícolas do Brasil. Esses estresses são em grande parte responsáveis pelo limiar entre potencial de produção de determinadas culturas e o seu real efeito de produtividade no campo. 
 

   Existem estudos que mostram que a maior parte das terras cultiváveis do planeta encontra-se sob algum tipo de estresse ambiental, sendo que somente cerca de 10% delas podem ser consideradas livres. Os principais e já definidos grupos de estresses abióticos aos quais as plantas sofrem, são:

 

I- Estresse por falta de água, caracterizado pela deficiência hídrica, principalmente ao longo do ciclo das culturas. Esse estresse depende de fatores como: precipitação; capacidade de armazenamento de água do solo; impedimentos físico/químicos ao desenvolvimento do sistema radicular; capacidade intrínseca da cultura de extrair/utilizar água existente no solo; diferenças na necessidade de água entre culturas e em diferentes estádios fenológicos.

II- Estresse nutricional, caracterizado pela relação e a necessidade com que as plantas possuem com as propriedades químico-físicas dos solos - pH, CTC, mineralogia, presença de toxidez pó alumínio, metais pesados e salinidade.

III- Temperatura, caracterizada pela variação térmica as quais as culturas conseguem se desenvolver. Existindo valores diferentes de temperaturas ótimas para o desenvolvimento em diferentes estádios fenológicos. Funcionando como fator determinante no acúmulo de matéria seca, abortamento de frutos, redução do estande inicial da cultura, redução de área foliar e redução dos níveis produtivos.
 

   Com isso, o uso de aminoácidos e de substâncias responsáveis pela indução de defesas, ligados ou não à aplicação de nutrientes, tem-se intensificado em sistemas de produção de grãos, obtendo ótimos resultados nas lavouras. A utilização dessas substâncias aumenta de importância à medida que o potencial genético das culturas é elevado e os fatores limitantes ligados à nutrição mineral das plantas são mínimos. Nestas áreas, o produtor busca o ajuste fino de suas práticas objetivando a obtenção de picos produtivos e a melhoria da qualidade do produto final.

   Os aminoácidos, dentre outras funções, têm interação com a nutrição de plantas, aumentando a eficiência na absorção, transporte e assimilação dos nutrientes. A quelação de cátions com aminoácidos gera moléculas sem cargas, reduzindo o efeito das forças de atração e repulsão da cutícula da folha, elevando a velocidade de absorção dos nutrientes. Além disso, estes quelatos formados por cátions+aminoácidos aumentam a capacidade de circulação de nutrientes pelas membranas, culminando em um importante componente da nutrição das plantas, a translocação de nutrientes pouco móveis pelos vasos floemáticos

   As substâncias indutoras de resistências estão pautadas principalmente nos mecanismos bioquímicos: Pré-formados (alcalóides, fenóis, glicosídeos e fototoxinas) e Pós-formados (fitoalexinas, quitinases, proteínas RP e inibidores protéicos). Exemplos claros são substâncias fugitóxicas exudadas por plantas de beterraba e tomate capazes de inibirem a germinação de esporos dos fungos Botrytis e Cercospora. O mecanismo de resistência induzida ou adquirida é a ativação em plantas de mecanismo de resistência latentes em resposta ao tratamento com agentes bióticos (fungos, leveduras, bactérias, vírus) ou abióticos (ácido salicílico, ácido jasmônico, ácido B-aminobutílico).

   Na literatura, tem-se encontrado inúmeros benefícios quanto ao uso de aminoácidos e substâncias indutoras de resistência em plantas, podendo-se citar a pontecialização da síntese de proteínas, de compostos intermediários dos hormônios vegetais, do efeito quelatizante de nutrientes ou agroquímicos e ativador do sistema de defesa. Contudo, as melhores respostas têm sido em situações de estresses abióticos, como desordens nutricionais, climáticas e deficiências hídricas. Na figura 1 plantas de feijão, submetida a condições de estresse hídrico por 24 h em casa de vegetação e sua resposta a aplicação de ácido salicílico (Exion Ative).

Já os aminoácidos, de forma isolada ou em combinação com outros produtos, vêm obtendo consistência nos resultados, com ganhos expressivos em diversas culturas, dando confiança a técnicos quanto a recomendação desta prática.

  Quando utilizados no tratamento de sementes, os benefícios alcançados com o uso de aminoácidos estão associados à melhoria do enraizamento, que tem como resultado plantas mais vigorosas e com estandes mais uniformes. Já com a aplicação via foliar, os benefícios se estendem a formação de massa verde e o enchimento do produto final, culminando no aumento da produtividade, como pode ser observado no trabalho (Figura 2). 

Independentemente do sistema de produção adotado pelos produtores é cada vez mais necessário a busca de ferramentas que auxilie as culturas a expressarem o seu máximo potencial produtivo.

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